terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Selos: Primeira emissão tipo "coroa"

1 - Introdução
A escassez de selos usados das taxas de 25 e de 50 réis da segunda emissão do tipo «Coroa» de Macau, aliada ao desconhecimento de qualquer destes valores sobre carta, levou a um análise detalhada da cronologia das duas emissões, levando a pensar que as taxas de 25 e de 50 réis não foram postas em circulação, o que teria como consequência estarmos perante duas taxas "não emitidas"
2 - A primeira emissão Coroa e as primeiras sobretaxas
O aparecimento a 1 de Março de 1884 das «estampilhas de Macau», introduzidas pela nova regulação postal, constitui a grande inovação para os utentes dos correios de Macau. Realçamos «estampilhas de Macau», pois que desde 1864 era necessário franquear as cartas expedidas de Macau com estampilhas de Hongkong. Outra inovação teve lugar, com esta estreitamente relacionada, e que consistiu na abolição, tantas vezes reclamada, do porte local de 8 avos por carta expedida ou recebida em Macau. E para que não houvesse dúvidas quanto à mudança agora praticada, mandava o Art.10º do regulamento que: “As correspondências que houverem de ser expedidas pelo correio desta cidade para Timor, para o Reino, Ilhas e províncias ultramarinas, ou para países estrangeiros, somente podem ser franqueadas por meio de selos postais ou outras formulas estabelecidas pelo governo da metrópole.”
Para o esclarecimento do público, logo no dia 2 de Março foi publicado o seguinte aviso:
No relatório postal do ano de 1884, da autoria do Director do Correio, Ricardo de Sousa, é dito: “As estampilhas postaes actualmente em uso n’esta repartição são de 10 valores a saber; 5, 10, 20, 25, 40, 50, 80, 100, 200 e 300 réis.”
A primeira remessa de selos do tipo “Coroa” de Macau, foi enviada da casa da Moeda de Lisboa, para o Ministério da Marinha e Ultramar a 3 de Novembro de 1876.
Em Macau existia uma taxa de 80 Réis que não constava dos selos enviados da metrópole; esta taxa, necessária em Macau para aplicação da tabela anexa às Instruções, foi obtida localmente com uma sobretaxa sobre o selo de 100 Réis.
Este ponto também é referido no Art.53º das Instruções, onde se diz: “Em quanto não houver selos de franquia do preço de 80 Réis serão habilitados para essa quantia os de 100 Réis, por meio de um carimbo posto na tesouraria da Junta de Fazenda”
Esta sobretaxa foi sancionada pelo Governador de Macau, conforme o atesta o ofício da Secretaria do Governo, datado de 25 de Fevereiro de 1884, que reproduzimos da revista Macau Filatélica.
Os selos que se ilustram em baixo são os da primeira emissão tipo coroa do ultramar Português, a que correspondem cores perfeitamente definidas.

A goma com que as estampilhas foram fornecidas era espessa, de cor acastanhada, o que se pode observar em alguns exemplares que não foram para Macau e que posteriormente foram vendidos pela Casa da Moeda. Independentemente da goma enviada não ser adequada ao clima de Macau, convém não esquecer que a primeira remessa de estampilhas esteve guardada nos cofres da Junta de Fazenda de Macau durante 6 anos, sujeitas a uma humidade que naturalmente fez colar as folhas umas às outras, e que certamente deve ter levado à inutilização de algumas folhas.
Verifica-se que as taxas enviadas em maior quantidade são precisamente aquelas, que, quando da publicação da tabela dos portes do correio de Macau, não estão contempladas nas mesmas. Acresce ainda que das taxas mais requisitadas, de 5,10,20,40 e 80 réis, somente a de 5 réis foi enviado em número significativo. É natural que algumas taxas tenham faltado, pelo que a determinada altura do relatório diz Ricardo de Sousa: “Tendo sido exausto ultimamente o fornecimento de estampilhas de valores mais geralmente usados, foram, por ordem superior, alteradas as seguintes estampilhas para uso do correio: Estampilhas de 100 foram alteradas para 80 réis, ditas de 25 para 10 , ditas de 25 para 5”.
A partir de um artigo de Luís Frazão publicado no Boletim do Clube Filatélico de Portugal

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