segunda-feira, 28 de maio de 2012

NRP João de Lisboa

Construído no Arsenal da Marinha (Lisboa) - na 1ª imagem - em 1936 o NRP "João de Lisboa" pertencia à classe "Pedro Nunes" com o seguinte nº de amura: F 477. Era um 'aviso' de 2ª classe e esteve nesta função durante 24 anos (até 1960).
No início da década de 1960 foi reclassificado como navio hidrográfico passando a ter o nº A 5200. Esteve ao serviço da Missão Hidrográfica do Continente e Ilhas Adjacentes até 1966.
Um aviso é um tipo de navio de guerra com diversas caraterísticas e funções, que variaram ao longo do tempo e conforme o operador. O termo "aviso" resulta da abreviação de barco de aviso. Originalmente, designava-se, por "aviso", um navio pequeno e rápido, que servia de ligação para o comando de uma esquadra naval, sendo utilizado na transmissão de avisos e de outras mensagens, entre os diversos navios e, entre estes e terra. Paralelamente, pela sua rapidez e agilidade, os avisos também realizavam operações de reconhecimento e exploração em proveito da esquadra.
O programa naval português da década de 1930 prevê a construção de uma série de navios de guerra especialmente concebidos para a atuação no Império Colonial Português que são classificados como avisos coloniais. Os avisos coloniais correspondem a um conceito semelhante ao das canhoneiras da transição do século XIX para o XX, mas mais avançados e com muito mais capacidades. No entanto, o plano de 1930 ainda prevê canhoneiras que seriam de deslocamento inferior ao dos avisos. Os novos avisos são lançados a partir de 1932. São construídos avisos de 1ª classe (classe Afonso de Albuquerque de 2400 t) e avisos de 2ª classe (classe Pedro Nunes de 1200 t e classe Gonçalo Velho de 1700 t). Também foram reclassificados, como avisos de 2ª classe, os cruzadores já em serviço da classe Carvalho Araújo - originalmente sloops britânicas da classe Flower.
A ponte-cais nº 1 tb conhecida por ponte-cais do governo, na Barra. Foto cedida por João Carion
Os avisos da classe Afonso de Albuquerque, lançados em 1935, acabaram por se tornar nos maiores navios combatentes, construídos ao abrigo do programa naval de 1930. Estes navios dispunham de um deslocamento de 2420 t e velocidade de 21 nós. Estavam armados com quatro peças de 120 mm, dois lançadores de cargas de profundidade, quatro peças antiaéreas de 77 mm, quatro metralhadoras antiaéreas de 40 mm e um hidroavião embarcado.
A seguir à Segunda Guerra Mundial, os avisos coloniais portugueses foram equiparados a fragatas, passando a ostentar um número de amura com o prefixo "F". No entanto, individualmente, cada navio, continuava a ser referido como "aviso". Nas décadas de 1940 e de 1950, os avisos foram consideravelmente modernizados, nomeadamente com a instalação de sensores e armamentos mais avançados para a luta antisubmarina. Na década de 1960 os avisos ainda em serviço foram transformados em navios hidrográficos.
O NRP João de Lisboa em Macau em Maio de 1949
Foto cedida por João Carion

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